Segunda-feira, 8 de Maio de 2017

Peregrino das palavras

DSC_8397-1-2

Nikon D3200, 18-55mm @ 18mm, f/10, 1/320s, ISO 100

Lago de Alqueva | Monsaraz | Portugal

 

Peregrino das palavras

 

Nos dias baços de sol ausente
havia lâminas expostas ao vento
e os pássaros da minha rua
anichavam-se nas dobras nuas
em trinados que enchiam a noite
dádiva de palavras, ágape pobre
de rimas, estrofes ao sabor do acaso
quase sempre a memória vivia
de pequenos nadas sepultados
nas esquinas dos dias idos,
soltava-se um rio tranquilo de margens
onde as palavras lavadas de significado
possuíam o aroma do dicionário
livre a que poeticamente pertencem
a gota vulgar da chuva miúda
é agora lágrima bendita a escorrer
até ao parapeito da janela aberta
sobre o mundo mágico do vate
quase prece quase louvor,hino
que desperta a sensualidade
onde habita o verso o poema
e o poeta peregrino das palavras.

 

in "Uma gaivota que debica a madrugada" página 44, 2001 Luís Filipe Marcão
Aparição Edições do Alentejo Lda


publicado por Paulo Brites às 23:46
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