Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2016

... recomeços

DSC_4705-1-2

Nikon D3200, 18-55mm @ 18mm, f/10, 1/50s, ISO 100

Reguengos de Monsaraz | Alentejo | Portugal

 

Todos os finais de ano é a mesma coisa, ano novo vida nova … pessoalmente penso que para definir mudanças e analisar o que somos e o que temos não será necessário chegar ao dia 31 de Dezembro mas verdade é sempre uma boa altura para criação de analogias e metáforas a respeito de “recomeçar”e como todas as mudanças elas começam essencialmente em nós e, diante dessa oportunidade de mudança em nós próprios originam-se sem dúvida algumas reflexões, entre elas está sempre a tradicional: Veja-se como foi o ano que está a ficar para trás e pense-se como se quer o próximo, como tal mude! Troque! Recomece!

De “recomeço” em “recomeço”, temos criado uma ambição desenfreada de viver sempre uma nova história, de procurar por novas pessoas, de frequentar novos lugares, de criar novos objectivos profissionais. Sem notar, contudo, que viver todos esses anseios sem ter lucidez nas nossas escolhas, não nos trará exactamente o ganho que se procura. Por isso, a pergunta que deveria caber a todos e a cada um antes de qualquer cogitação de recomeço é: o que é que exactamente se quer e procura?

… bem acima de tudo e para não matarmos a possibilidade real de transformação que se pretende, será muito importante aproveitar o que de bom nos aconteceu nos últimos tempos e que muitas vezes não temos a capacidade de perceber tais acontecimentos, portanto o grande inicio desse recomeço não será recomeçar e dar a devida importância ao que temos? Acho que sim! Acho que para além de novos objectivos, de novas metas será muito importante rever se o que temos é por enquanto só metade do que se cria e se assim o é, será sempre por ai o ponto de partida para definir os nossos objectivos para o próximo ano porque se já ou ainda só temos metade então que se lute e se dê prioridade para se conseguir ter tudo!

Todavia... recomeçar é mais do que unicamente superar o que deu errado. É antes, modificar o jeito, o trajecto, a fala, a forma, a maneira. É assumir, é ter acções que façam a diferença.

Como dizia Miguel Torga:

“Recomeça....

Se puderes

Sem angústia

E sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro

Do futuro

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.

 

E, nunca saciado,

Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.

Sempre a sonhar e vendo

O logro da aventura.

És homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura

Onde, com lucidez, te reconheças...”

 

Sim! Não vou querer só metade do que consegui, vou continuar a ter ilusões e a definir como meta as metades que me faltam e somente depois disso e se não as conseguir atingir farei um novo recomeço! Só assim faz sentido … Feliz ano novo!


publicado por Paulo Brites às 20:30
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