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As Imagens da Minha Objectiva

As Imagens da Minha Objectiva

DSC_10076-1-3.jpgNikon D3200, 18-55mm @ 18mm, f/10, 1/10s, ISO 100

 

Passa uma borboleta por diante de mim
E pela primeira vez no Universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move.
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenas flor.


Alberto Caeiro

 

 

DSC_10082-1-2.jpgNikon D3200, 18-55mm @ 18mm, f/7.1, 1/200s, ISO 200

 

https://www.youtube.com/watch?v=831mskG0hy8 

 

Yo no tenía ganas de reir,
Tú reías para no llorar;
Yo le guiñaba un ojo a mi nariz,
Tú consolabas a tu soledad.

Yo sin ninguna escoba que vender,
Tú con mil y una noches que olvidar;
A mí no me quería una mujer,
A ti se te moría una ciudad.

Tú habías perdido el último autobús,
A mí me habían hechado de otro bar;
Los mismos alfileres de vudú,
El mismo cuento que termina mal.

Pero quiso el cielo
Bautizar el suelo
Con su gota a gota
Y con champú de arena
Para tu melena
De muñeca rota
Y tu mirada azul
Me dijo a cara o cruz
Y mi alma de tahur
Lo puso a doble o nada.

Y los peces de colores de mis botas
Y tus marchitos zapatitos de tacón
Locos por naufragar
Salieron a bailar
Al ritmo de la lluvia sobre las capotas
El rocanrol de los idiotas.

Yo no venía de ningún país,
Tú ibas camino de cualquier lugar;
Conmigo no contaba el porvenir,
De ti no se acordaba el verbo "amar".
Yo no jugaba para no perder,
Tú hacias trampas para no ganar;
Yo no rezaba para no creer,
Tú no besabas para no soñar.

Y sin equívocos de vodevil
Ni alertas rojas en el corazón
El dios de la tormenta quiso abrir
La caja de los truenos y tronó,
Porque quiso el cielo
Acariciar el suelo
Con su gota a gota
Y con champú de arena
Para tu melena
De muñeca rota.

Qué disparate de
Partida de ajedrez
Con un partenaire
Adicta al jaque mate.

Y tu bolso como un nido de gaviotas
Y mi futuro con pan duro en el cajón
Locos por naufragar
Salieron a bailar
Al ritmo de la lluvia sobre las capotas
El rocanrol de los idiotas.

Capeando el temporal
Salieron a bailar
Como dos locos bajo el chaparrón de notas
Del rocanrol de los idiotas.

El rocanrol,
El rocanrol de los idiotas.
Como tu y como yo.
El rocanrol de los idiotas.

Se marcó la calle
Con aquel detalle
De dejarnos solos.
El rocanrol de los idiotas.

Y por casualidad
Comenzó a tocar
La flauta de bartolo.
El rocanrol de los idiotas.

Go johnny go, go, go.
El rocanrol de los idiotas.
All you need is love.
Y bailar
El rocanrol de los idiotas.

A vam ba baluba balam bam bu.
Tutti frutti.
El rocanrol de los idiotas.
Don't worry.
El rocanrol de los idiotas.

 

 

DSC_2952-2.jpgNikon D3200, 18-55mm @ 40mm, f/8, 1/500s, ISO 100

 

https://www.youtube.com/watch?v=eYegmKbyD6Y

 
 

Si alguna vez he dado más de lo que tengo
Me han dado algunas veces más de lo que doy
Se me ha olvidado ya el lugar de donde vengo
Y puede que no exista el sitio adonde voy

A las buenas costumbres nunca me he acostumbrado
Del calor de la lumbre del hogar me aburrí
También en el infierno llueve sobre mojado
Lo sé porque he pasado más de una noche allí

En busca de las siete llaves del misterio
Siete versos tristes para una canción
Siete crisantemos en el cementerio
Siete negros signos de interrogación

En tiempos tan oscuros nacen falsos profetas
Y muchas golondrinas huyen de la ciudad
El asesino sabe más de amor que el poeta
Y el cielo cada vez está más lejos del mar

Lo bueno de los años es curan heridas
Lo malo de los besos es que crean adición
Ayer quiso matarme la mujer de mi vida
Apretaba el gatillo cuando se despertó

Con siete espinas de la flor del adulterio
Siete carreteras delante de mí
Siete crisantemos en el cementerio
Siete veces no, siete veces sí

Me enamoro de todo, me conformo con nada
Un aroma, un abrazo, un pedazo de pan
Y lo que buenamente me den por la balada
De la vida privada, de fulano de tal

Siete crisantemos en el cementerio
Siete despedidas en una estación
Siete crisantemos en el cementerio
Siete cardenales en el corazón

 
 

DSC_10046-1-3.jpgNikon D3200, 18-55mm @ 23mm, f/5.6, 1/60s, ISO 100

 

Sossegado é o particípio de sossegar; Acalmando o gerúndio de acalmar; Mas se tivesse que legendar esta imagem e este momento, sem dúvida, que me iria socorrer de Vinícius de Moraes e da sua tão célebre afirmação “A vida só se dá pra quem se deu!” só assim é possível sossegar e acalmar …

 

DSC_10040-1-3.jpgNikon D3200, 18-55mm @ 24mm, f/5.6, 1/640s, ISO 100

 

https://www.youtube.com/watch?v=qBWcDw0-hjU

 

Quando o caminho é a subir
Não tem sinal nem direção
É como chegar, não chegar
Pára enfim a relação
Quem?
Um ladrão
Impostor!
A tentar lamber a mão
Intrujão!
Sedutor!
Mas enfim é como um cão
Eu gosto imenso de ti
Assim, assim
Um cheiro intenso tal insenso que vem daí e vai
daí. Eu gasto imenso tempo a pensar... em mim e em ti
Mas vais achar mal... ou não... talvez não...
Queria voltar, não voltei
Nem te dei... ouro e mirra
Quis-te falar, não falei
Eu adoro fazer uma birra
Mas cão
Bom pastor
Novo ano
Só presentes pelo chão
Quem?
Impostor!
Sedutor!
Mas enfim é como um cão
Eu gosto imenso é, de ti
Assim, assim
Um cheiro intenso tal insenso que vem daí e vai daí
Eu gasto imenso tempo a pensar... em mim e em ti
Mas vais achar mal... ou não... talvez não
Eu gosto imenso é... de ti
Assim, assim
Eu gosto imenso é... de ti
Ou não... ou não... ou não

 

 

19 Set, 2019

O meu olhar é ...

DSC_10078-1-3.jpgNikon D3200, 50-200mm @ 86mm, f/7.1, 1/2000s, ISO 400


O meu olhar é nítido como um girassol.

Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no Mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...

Alberto Caeiro

 

 

DSC_10114-1-2.jpgNikon D3200, 18-55mm @ 18mm, f/4, 1/60s, ISO 200

 

https://www.youtube.com/watch?v=jNcfxJeMDGg

 

Sous le ciel de Paris
S'envole une chanson
Elle est née d'aujourd'hui
Dans le coeur d'un garçon
El cielo de París
Ve pasear al amor
Amantes que van mostrando
Su aire feliz

Sous le pont de Bercy
Un philosophe assis
Deux musiciens, quelques badauds
Puis des gens par milliers
Bajo el cielo de París
Canta al amanecer
Eterna canción de amor
De esta vieja ciudad

Prés de Notre-Dame
Parfois couve un drame
Oui, mais à Paname
Tout peut s'arranger
Quelques rayons du ciel d'été
L'accordéon d'un marinier
L'espoir fleurit
Au ciel de Paris

Sous le ciel de Paris
Coule un fleuve joyeux
Il endort dans la nuit
Les clochards et les gueux
Sous le ciel de Paris
Les oiseaux du Bon Dieu
Viennent du monde entier
Pour bavarder entre eux

Et le ciel de Paris
A son secret pour lui
Depuis vingt siècles il est épris
De notre île Saint Louis
Quand elle lui sourit
Il met son habit bleu
Quand il pleut sur Paris
C'est qu'il est malheureux
Quand il est trop jaloux
De ses millions d'amants

Il fait gronder sur eux
Son tonnerre éclatant
Mais le ciel de Paris
N'est pas longtemps cruel
Pour se faire pardonner,
Il offre un arc-en-ciel

 

 

DSC_10267-1-3.jpg

Nikon D3200, 50-200mm @ 85mm, f/6.5, 1/200s, ISO 100

 

Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender —
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.


Fernando Pessoa

 

 

DSC_10120-1-2.jpgNikon D3200, 50-200mm @ 128mm, f/7.1, 1/400s, ISO 200

 

https://www.youtube.com/watch?v=z4219yQh94U

 

Bate que bate no peito o tambor
O que será que me deu?
Será que fui morto em combate?
Ou será amor?

Desce no peito um frio, um calor
O que será que me deu?
Será falta de chocolate?
Ou será amor?

Mmmmhhhhh

Só sei que até as buzinas da hora de ponta parecem cantar
E até o cheiro a gasolina emana um aroma de rosas no ar
E o shoping dos olivais lembra as luzes de Paris
E até as capas dos jornais vem que afinal o mundo é feliz

La-ra-la-ra o mundo é feliz la-ra-la-ra


Dá-me um achaque, um batuque, um ataque
Que piripaque me deu?
Será que tou tendo um chilique ou será amor?
Ataca a espinha e rouba a retina
Acelera o coração
Será que sai com aspirina? Ou será amor?

Mmmmhhhhh

Só sei que até as cantigas que tocam na radio aprecem cantar
E as ervas daninhas da berma da estrada
Parecem jardins ao luar
A cantora do show da manhã é a voz que nem Elis
É o homem do telejornal diz que afinal o mundo é feliz la

La-ra-la-ra o mundo é feliz
La-ra-la-ra o mundo é feliz
La-ra-la-ra o mundo é feliz
O mundo é feliz

 

 

 

DSC_10037-1-3.jpg

Nikon D3200, 18-55mm @ 18mm, f/7.1, 1/125s, ISO 100

 

"A única realidade para mim são as minhas sensações. Eu sou uma sensação minha. Portanto nem da minha própria existência estou certo. Posso está-lo apenas daquelas sensações a que eu chamo minhas.

A verdade? É uma coisa exterior? Não posso ter a certeza dela, porque não é uma sensação minha, e eu só destas tenho a certeza (...)"

Textos Filosóficos . Vol. II. Fernando Pessoa; Lisboa: Ática, 1968

 

 

DSC_10258-1-2.jpgNikon D3200, 50-200mm @ 85mm, f/9, 1/200s, ISO 100

 

https://www.youtube.com/watch?v=T4gRW7ffl1M

 

Amor o mundo quebra-te os sonhos
Às vezes cai-te todo nos ombros
Eu levanto-o inteiro por ti
Eu viro cavaleiro por ti
 
Amor o mundo deixa-te ao frio
Às vezes larga-te no vazio
Eu pinto de todas as cores por ti
Eu viro Leonardo Da Vinci por ti
 
Fiz-te um avião de papel
Daqueles das cartas de amor
Pra voarmos nele quando o mundo é cruel
E não há espaço que chegue pra dor
 
Fiz-te um avião de papel
Daqueles dos quantos queres
Pra voarmos daqui em lua de mel
Pra te levar pra onde quiseres
 
Amor o mundo tira-te o ar
Chega a proibir-te de dançar
Eu danço as músicas todas por ti
Eu viro bailarino por ti
 
Amor o mundo fez-te mulher
Mais cedo do que tinha que ser
Eu faço o tempo voltar por ti
Eu viro super-homem por ti
 
Fiz-te um avião de papel
Daqueles das cartas de amor
Pra voarmos nele quando o mundo é cruel
E não há espaço que chegue pra dor
 
Fiz-te um avião de papel
Daqueles dos quantos queres
Pra voarmos daqui em lua de mel
Pra te levar pra onde quiseres
 
Fiz-te um avião de papel
Daqueles das cartas de amor
Pra voarmos nele quando o mundo é cruel
E não há espaço que chegue pra dor
 
Fiz-te um avião de papel
Daqueles dos quantos queres
Pra voarmos daqui em lua de mel
Pra te levar onde quiseres
 
Pra te levar
Pra te levar
Onde quiseres
Onde quiseres
 
 
 

DSC_10910-1-2.jpgNikon D3200, 18-55mm @ 18mm, f/7.1, 1/320s, ISO 100

 

https://www.youtube.com/watch?v=2UDZH_Htpq8

 

Hoje, a semente que dorme na terra
E se esconde no escuro que encerra
Amanhã nascerá uma flor

Ainda que a esperança da luz
Seja escassa
A chuva que molha e passa
Vai trazer numa gota amor

Também eu estou
À espera da luz
Deixo-me aqui
Onde a sombra seduz

Também eu estou
À espera de mim
Algo me diz
Que a tormenta passará

É preciso perder
Para depois se ganhar
E mesmo sem ver
Acreditar!

É a vida que segue
E não espera pela gente
Cada passo que dermos em frente
Caminhando sem medo de errar

Creio que a noite
Sempre se tornará dia
E o brilho que o sol irradia
Há-de sempre me iluminar

Quebro as algemas neste meu lamento
Se renasço a cada momento
Meu o destino na vida é maior

Também eu vou
Em busca da luz
Saio daqui
Onde a sombra seduz

Também eu estou
À espera de mim
Algo me diz
Que a tormenta passará

É preciso perder
Para depois se ganhar
E mesmo sem ver
Acreditar!

É a vida que segue
E não espera pela gente
Cada passo que dermos em frente
Caminhando sem medo de errar

Creio que a noite
Sempre se tornará dia
E o brilho que o sol irradia
Há-de sempre nos iluminar

Sei que o melhor de mim
Está para chegar
Sei que o melhor de mim
Está por chegar
Sei que o melhor de mim
Está para chegar

 

 

 

DSC_10106-1-3.jpgNikon D3200, 50-200mm @ 85mm, f/7.1, 1/10s, ISO 100

 

https://www.youtube.com/watch?v=rgQxJlxUi58&feature=share&fbclid=IwAR3RQ9IKaQljm1Wr40520RIb3j8rB5DBSdCNISKRKSEqAk7_aFA3xua_1Hk

 

Sou pálido som
Que perde o dom
Ao ser cantado
Sou o escuro inteiro
Do candeeiro
Mais que apagado
E ouve-se o Fado

Sou um rochedo em mar revolto
Um lamento que ora solto
Queima-me os lábios
Sou um olhar que busca a sorte
Que segue a estrela do norte
P'los astrolábios

Sou a mão que investe
Um ponto a leste
Por ti marcado
Sou por um instante
A consoante
Do verbo errado
E ouve-se o Fado

Sou um rochedo em mar revolto
Um lamento que ora solto
Queima-me os lábios
Sou um olhar que busca a sorte
Que segue a estrela do norte
P'los astrolábios

 

 

 

DSC_10091-1-2.jpgNikon D3200, 18-55mm @ 24mm, f/5.6, 1/2500s, ISO 400

 

https://www.youtube.com/watch?v=f27iTlUpQjY

 

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto me lembrou Carlitos
A lua tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria um brilho de aluguel

E nuvens lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas, que sufoco louco
O bêbado com chapéu coco fazia irreverências mil
Prá noite do Brasil

Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu num rabo de foguete
Chora a nossa pátria mãe gentil
Choram Marias e Clarisses no solo do Brasil

Mas sei que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente
A esperança dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha pode se machucar
Azar, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
tem que continuar

 

 

DSC_10508-1-3.jpgNikon D3200, 18-55mm @ 20mm, f/5.6, 1/1250s, ISO 100

 

https://www.youtube.com/watch?v=C2z9sbWnzBw

 

Sábado à noite não
sou tão só, somente só
a sós contigo assim
e sei dos teus erros
os meus e os teus
os teus e os meus amores que não conheci

Parasse a vida
um passo atrás
quis-me capaz
dos erros renascer em ti

E se inventado, o teu sorriso for
fui inventor
criei um paraíso assim

Algo me diz que há mais amor aqui
lá fora só menti
eu já fui de cool por aí
somente só, só minto só

Hei-de te amar, ou então hei-de chorar por ti
mesmo assim, quero ver-te sorrir
e se perder vou tentar esquecer-me de vez
conto até três se quiser ser feliz

Se há tulipas
no teu jardim
serei o chão e a água que da chuva cai
para te fazer crescer em flor, tão viva a cor
meu amor eu sou tudo aqui

Sábado à noite não sou
tão só, somente só
a sós contigo assim
não sou tão só, somente só

Hei-de te amar, ou então hei-de chorar por ti
mesmo assim, quero ver-te sorrir
e se perder vou tentar esquecer-me
de vez, conto até três
se quiser ser feliz

 

 

DSC_2527-1-3.jpgNikon D3200, 18-55mm @ 38mm, f/7.1, 1/250s, ISO 100

 

(…) Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas —
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas —,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido. (…)*


*Excerto – Tabacaria - Álvaro de Campos

 

 

DSC_10105-1-3.jpgNikon D3200, 50-200mm @ 200mm, f/5.6, 1/3200s, ISO 100

 

https://www.youtube.com/watch?v=PNrDY7oXRvU&feature=share&fbclid=IwAR1om6Qj4Q4UXfm6HHr9wvoG9andUhv94CqbDz1bAa6udMhqkQUJ8iWpVDI 

 

Vai sem medo
é de novo o começo
que outra vez acontece
o horizonte escurece
faz-se um grande sossego,
 
Não faz mal, vai sem medo
Não há preto nem branco
Nem há ninguém por perto
Que te possa ajudar
 
Vai depressa
E parte à descoberta
Porque a noite aparece
Nem há sombras no chão
E é tão grande o segredo
 
Não faz mal, vai sem medo
Não há preto nem branco
Nem há ninguém por perto
Que te possa guiar
 
Pensa grande
Num futuro distante
Em que possas mudar
Teu amor encontrar
Num caminho incerto
 
Não faz mal, vai sem medo
Não há preto nem branco
Nem há ninguém por perto
Só quem vais encontrar
Não faz mal, vai sem medo
Não há preto nem branco
Nem há ninguém por perto
Só quem vais encontrar
 
 
 

DSC_10016-1-3.jpgNikon D3200, 18-55mm @ 21mm, f/10, 1/250s, ISO 200

 

https://www.youtube.com/watch?v=_AKkJKHAXSk&feature=share&fbclid=IwAR0e5bmLrhKXDFwqVXc03tj3JBmkxALaKsU51qjU3OXMznVnRKse3WZ6uXU 

 

Antes
Que a porta se abra
Que o cálice se parta
Bebo do tempo que ele tem

Dorme
Meu corpo sem leme
A terra que treme
De vontade e dor também

Antes
Que me falte a estrada
Que a coragem arda
Dos teus olhos me encandeio

Luz
Que do peito salta
Do pulso que falta
No teu nome me incendeio

Amanhã
Haja o que houver
Pode acontecer
Eu ficar p'ra trás

Amanhã
Vais prometer
Pode acontecer
E vais ser capaz

Chão de dentro
De amor lento
Aperta-me
Perto do fim
Espera por mim
Eu hei de chegar

Amanhã
Haja o que houver
Pode acontecer
Eu ficar p'ra trás

Amanhã
Vais prometer
Pode acontecer
E vais ser capaz.