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As Imagens da Minha Objectiva

As Imagens da Minha Objectiva

09 de Agosto, 2020

Uma fotografia, um poema, uma música - parte III

Paulo Brites

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Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.


António Gedeão

 

Carlos do Carmo - Pedra Filosofal

 

 

08 de Agosto, 2020

Um poema e uma fotografia - parte XXIV

Paulo Brites

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Não me perguntes, porque nada sei
da vida,
nem do amor,
nem de Deus,
nem da morte.
Vivo,
amo,
acredito sem crer,
e morro, antecipadamente
ressuscitando.
O resto são palavras
que decorei
de tanto as ouvir.
E a palavra
é o orgulho do silêncio envergonhado.
Num tempo de ponteiros, agendado,
sem nada perguntar,
vê, sem tempo, o que vês
acontecer.
E na minha mudez
aprende a adivinhar
o que de mim não possas entender.

 

Miguel Torga

 

05 de Agosto, 2020

Um poema ao amor - parte I

Paulo Brites

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O perfeito, na harmonia imperfeita
da imperfeição do evoluir.
Harmonia perfeita que roça a imperfeição.
Manipulação do pensamento
na impulsividade da semente que se cultiva.
Na oferta do que temos fica em desequilíbrio,
mas a culpa, não se sentirá!
Na manifestação do sentir
é que ele ocorrerá.

Num futuro passado,
no cofre das lembranças,
com um melhor presente
e, uma fábrica de passado.
Certo ou errado?
Consequências do existir.

Que se ame sem possuir
que se invada sem depender
que se respeite a liberdade dos momentos.
O barulho dos silêncios
e a beleza do existir.
Só assim, a harmonia, acontecerá.

Paulo Brites 

 

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