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As Imagens da Minha Objectiva

As Imagens da Minha Objectiva

15 de Dezembro, 2020

Aprende a ler o presente com o passado

Paulo Brites

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Olho para esta imagem e sei que nunca mais irei ver, novamente, este por do sol. O mais que poderá acontecer, será em algum momento, ver um semelhante. É este o poder da fotografia! Registar para memórias futuras o que já passou.

Será uma total perda de tempo, pensar que, irei voltar a viver o momento passado. Nunca isso irá acontecer. Se pensar nisso, para além de não ser possível, irá interferir no meu presente e anular o meu futuro. Se choro com saudades deste por do sol, as lágrimas, irão impedir, que vejo o nascer do dia de amanhã e, por consequência, irão também impedir, que veja o próximo por do sol.

Na vida também isso nos acontece. Olhamos para o passado muitas vezes com nostalgia e vontade de o reviver. Mas não! O melhor que o passado nos pode dar, não é uma fotografia, mas sim, uma experiência. Com essa experiência, ficamos mais ricos e atentos ao presente e, percebendo o presente, conseguimos de alguma forma, embora um pouco redutora, prever o futuro.

Aprendemos a perceber os momentos. Aprendemos a ouvir os outros. Aprendemos a ler os seus sorrisos e alegrias. Aprendemos a perceber as suas lágrimas. Aprendemos a olhar para as suas tristezas. Aprendemos a ler os seus silêncios. Aprendemos a sentir o que eles nos poderão dar no futuro. Como vamos ser, se com eles, quisermos caminhar.

Poderemos até desvalorizar o que queremos, pretendemos, o que desejamos. No entanto, se o fizermos, não estaremos a ser nós. Por querermos tanto, podemos estar a desvalorizar o nosso valor. E se assim for, estamos num caminho errado.

Aplica-se a tudo na vida! Até mesmo, a sentimentos como o amor e ou a amizade. A resposta para o presente e futuro, está no passado. Está no não ter medo de sair da zona de conforto e dizer: não é este o meu caminho! Claro que, é importante saber fazer isso. Teremos que ter alguma destreza para não nos enganarmos nas análises. Teremos também, que saber, se já foram esgotados todos os “sim” antes de dizer, “não”.

Mas seja como for, é para as sombras que deveremos sempre olhar. É nelas que estão as nossas respostas e não, na luz que os focos iluminam.