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As Imagens da Minha Objectiva

As Imagens da Minha Objectiva

26 de Novembro, 2020

Um poema e uma fotografia - parte XLVI - João Monge

Paulo Brites

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Às vezes fico tenso,
fico “penso, logo é triste”
fico sem voz e sem gosto
com vontade de morder
as tuas maçãs do rosto
até chegar ao caroço.
Ser o arrepio do osso,
cobra de água de cisternas,
subir pelas tuas pernas,
provocar um alvoroço.

Ser o dono da risada,
do ai-ai, não digas nada,
que eu tropeço na vontade
Mando às malvas a prudência,
ganho fama na cidade
mas acabo mastigando,
remoendo e relembrando
o sabor da existência.

Às vezes, fico leve,
fico “penso, logo é breve”
fico solto de alegria
e as tuas maçãs do rosto
penso, logo já mordia!
É o assobio da cobra,
que se dobra e se desdobra,
na redonda melodia
e tu dizes «Já sabia!
Já sabia que caía»

No mar da tua risada,
no ai-ai, não digas nada,
que eu tropeço na vontade,
mando às malvas a prudência,
ganho fama na cidade
mas acabo mastigando,
remoendo e relembrando
o sabor da existência.

João Monge

 

 

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