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As Imagens da Minha Objectiva

As Imagens da Minha Objectiva

14 de Março, 2021

Uma fotografia, um poema, uma música - parte X - Rui Veloso

Paulo Brites

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Rui Veloso - Do meu Vagar

 

Já não há mais o vagar
De quando se comia sentado
E devagar se caminhava
Até chegar a qualquer lado

Agora vai toda a gente
Sempre de mão na buzina
Sempre na linha da frente
A tremer de adrenalina

Do meu vagar não trarão rotas
Não tenho trilho que me prenda
Não tiro dados nem notas
Não encho uma linha de agenda

Do meu vagar não chego a meca
Não farão nada num só dia
Não corto a fita da meta
Não vejo Roma nem pavia

Do meu vagar
Sei que nunca hei de ir longe
Vou aonde for preciso
Vou indo do meu vagar

Em busca do tempo perdido
E se um dia o encontrar
O longe não faz sentido
Não faz sentido

Do meu vagar há um nicho
Um pico de ilha insubmersa
Onde há lugar para o capricho
Que dá pelo nome de conversa

Do meu vagar a paisagem
Ainda tem beleza em bruto
E vale mais uma palavra
Que mil imagens por minuto

Do meu vagar
Sei que nunca hei de ir longe
Vou aonde for preciso
Vou indo do meu vagar

Em busca do tempo perdido
E se um dia o encontrar
O longe não faz sentido
Não faz sentido

Do meu vagar o longe não faz sentido (não faz sentido)
Do meu vagar o longe não faz sentido
Do meu vagar o longe não faz sentido (não faz sentido)
Do meu vagar o longe não faz sentido

Do meu vagar o longe não faz sentido (não faz sentido)
Do meu vagar o longe não faz sentido

Rui Veloso - Do meu Vagar

 

 

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